PRINCÍPIO DO PAISAGISMO - "DA ESCURIDÃO À LUZ".


Antes de explicar o Paisagismo como uma das mais belas expressões da arte, é preciso compreender um princípio fundamental da Natureza, qual seja, o Princípio "Da Escuridão à Luz". Como assim? Existe esse princípio? Na verdade, não. Muitas pessoas chamam-no de Princípio da Observação. Alguns de Princípio Criativo. Outros mais espiritualizados falam em Princípio da Correspondência, segundo os quais "o que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima". No entanto, é importante entender, inicialmente, que existe uma conexão sutil entre todas as coisas.

Alguns artistas, por exemplo, quando querem expressar algum sentimento, procuram belas paisagens para servir de inspiração. Vão ficar perto de montanhas, rios e de outros lugares que possam transmitir as sensações necessárias. 

Outras pessoas gostam de ficar observando os pássaros voando, as abelhas colhendo o mel ou as folhas balançando ao vento. Associam essas situações a aspectos da vida ou expectativas de bem viver.

Nas situações ilustradas acima e em tantas outras, existe uma procura por algo que se atribui estar vinculado à individualidade das pessoas. Será que esse algo está somente dentro de uma pessoa? Ou apenas ela capta e toma para si? Ou está presente em tudo? 

Onde queremos chegar? Não tão longe, nem tão perto. Como dito acima, tudo está ligado por fios imperceptíveis, que promovem repetições de padrões na natureza, e tais elementos de associação são necessários para construção da arte.

Vejam a foto acima. O que imaginam? Apenas um amanhecer? Um sentimento de novo início? A magnitude ou a sacralidade da natureza? Percebam que a luz aqui tem seu papel principal. "Da Escuridão à Luz" somos levados a impressões sensoriais inesgotáveis, infinitas. Podemos imaginar, por exemplo: o dia da criação, quando Deus criou todas as coisas; o nascimento de uma criança que, ao sair do ventre materno, vê a luz pela primeira vez; uma semente brotando e rompendo a camada de solo em busca de luz e de forças para se expressar; um pequeno pássaro saindo de seu ovo para ver a luz do lugar onde a mãe o espera. Existem semelhanças entre esses momentos peculiares e de proporções tão diferentes? Sim.

Em outras situações, é a música que nos leva a ter flutuações de humor como as alterações das marés. Outras vezes, é aquele aroma de café que lembra a vovó e seu amor incondicional. A areia da praia que imita a infinitude das estrelas. A nossa corrente sanguínea que se assemelha aos afluentes dos rios. Os núcleos dos átomos que desempenham funções parecidas com as dos incontáveis sóis das constelações.  

Se vocês compreenderem um pouco do universalismo aqui exemplificado, já será um grande passo para serem bons artistas e, sobretudo, paisagistas. Quem domina essa compreensão de correspondência, poderá usar a transformação da paisagem não penas sob a ótica estética, funcional ou ambiental.  

Em outro momento, comentaremos sobre um importantíssimo princípio relacionado ao que tratamos aqui, qual seja, o Princípio da Geometria Sagrada, dentro de uma perspectiva holística que já foi muito explorada pelos antigos artistas em seus  jardins. E, de forma comparativa, abordaremos sobre o atual processo desconstrutivo dentro do contexto paisagístico.

Espero que tenham gostado dessa portagem do Mercado de Paisagismo. Desejamos, apenas, que esse texto seja algo positivo na vida de vocês. A natureza tem os seus segredos. Quem não os têm?

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