A ARTE NO JARDIM E SUAS EXPRESSÕES


A arte no jardim. Uma expressão de sentimentos. Uma busca pelo sentido da vida. Uma mensagem a ser captada e divulgada. A construção de um enredo particular. Não dá para estabelecer premissas ou regras dentro do universo artístico. Tudo deve ser livre e poético.
É certo que a arte também enquadra-se dentro de dimensões coletivas, que ora são formadas pelas identidades culturais, a serem preservadas, cultivadas, ora são resultados de pensamentos quânticos, holísticos e evolutivos vindos do multiverso, que prega a conexão de todas as realidades.  
Assim são os nossos jardins brasileiros, cheios de magia, criatividade e alegria. Um apelo a nossa ancestralidade tupiniquim. As nossas belas matas, nossos índios e nossos colonizadores ficam nos observando de planos longínquos, esperando que sejam lembrados e cultuados. Quando suas memórias são resgatadas, surgem gênios atemporais como Burle Marx. Som, forma e luz mergulham dentro da alma do jardinista brasileiro. A arte liberta-se e se dilui na seiva de um ipê roxo, e lá encontra sua cura e identidade. 
Assim são os jardins norte-americanos, com sua força impositiva, jovial e arrebatadora. Suas linhas fortes e sistemáticas, que pressionam pela necessidade de estabelecer ordem e evidência, mas que, por vezes, entregam-se ao voo despretensioso de uma águia que só procura contemplar a beleza de seus vales.
Assim são os jardins chineses e japoneses, que expressam a arte da transitoriedade da vida, o convite à meditação e o respeito aos campos não visíveis das energias ligadas à terra, água, ao fogo, ar e espírito. A dualidade universal é rigorosamente detalhada e respeitada. As pedras, a lanterna, a cerejeira, as carpas, o yin e o yang. São jardins de guerreiros que desejam a paz.
Assim são os jardins franceses, que promovem a arte, o charme e o formalismo, cujas estruturas mesclam a busca pelo autocontrole e autopreservação com a vontade de florescer em segurança. Contam, ocasionalmente, a história de uma pintora grega e um agricultor celta que se encontram, apaixonam-se numa comemoração realizada entre árvores e dentro de um conjunto circular de pedras, e que, 07 anos depois, pedem aos seus filhos para serem livres em seu corações, mas fortes perante a sociedade.
Assim são jardins ingleses, onde a tradicionalidade quer dar espaço à leveza e sutileza. É a história da princesa que se apaixona pelo jardineiro. No castelo, ela procurava a segurança e, no jardim, a felicidade.

Assim são os jardins árabes, em que a sinergia sugere a atenção a mundos diferentes e coloridos, cujos ritmos da água, formas matemáticas e aromas cítricos reproduzem uma sensibilidade e visão peculiares, que só desejam ser prestigiadas, nada mais.
Assim são os jardins do novo mundo, que se conectam e se transmutam. Um chamado para a coexistência, para a lembrança de nossa origem cósmica, para a memória coletiva de toda vida que habita nesse planeta. Forças elétricas e magnéticas entram em colisão e novas matérias são redescobertas. O sentimento de unidade vibra e espera ser compreendido e compartilhado através da arte.   

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